O problema da destinação (correta) dos resíduos

Lixo-EletronicoTodos os resíduos, também conhecidos como lixo, gerados pela população devem possuir um destino correto para que não causem efeitos negativos no ambiente – a poluição dos rios e do solo – e também na própria saúde do ser humano, devido à transmissão de doenças. Com o aumento da produção e do consumo de eletrônicos nos últimos anos, é fundamental que os indíviduos comecem a prestar atenção num resultado significativamente negativo gerado pela evolução técnológica: o acúmulo desses resíduos eletrônicos, ao serem descartados após ficarem obsoletos. O problema é agravado devido aos altos níveis de componentes tóxicos presentes nesses resíduos, como mercúrio, chumbo, cádmio e berílio, que geram contaminação.

O Brasil, por sua vez, é o maior produtor de lixo eletrônico (que inclui computadores, celulares, televisores,e outros dispostivos), entre os países emergentes. Em virtude dessa situação e da complexidade do problema, foram criadas leis específicas para a destinação correta dos resíduos, em vigor em diversas partes do país. O governo federal aprovou, em agosto de 2010, a Lei nº 12.305 referente à Política Nacional de Resíduos Sólidos (PNRS), que promove a destinação correta de todo o tipo de resíduo (doméstico, industrial, eletroeletrônico, lâmpadas de vapores de mercúrio, agrosilvopastoril, área de saúde, resíduos perigosos) – incluindo normas e procedimentos para a reciclagem, gerenciamento e destinação final de lixo tecnológico – e especifica as responsabilidades dos diversos agentes envolvidos na cadeia produtiva da construção civil, para minimizar os impactos ambientais.cidadao_eco

Na União Europeia, por exemplo, a diretiva 2002/95/CE, instituída em janeiro de 2003, regulamenta o tratamento de resíduos de equipamentos eléctricos e electrónicos e determina que os fabricantes se responsabilizam por todos os eletrônicos produzidos. Além disso, também fica restrito o uso de determinadas substâncias perigosas em equipamentos elétricos e eletrônicos. Já nos Estados Unidos, são propostas soluções em nivel estatal, sendo que, até o ano passado, apenas 24 estados apresentaram legislações específicas. Os EUA, signatários da Convenção de Basiléia, que bane a exportação do lixo eletrônico, descartam boa parte dos resíduos em países como China e Índia.

O processo de gestão e reciclagem do lixo eletrônico é dividido entre as etapas de coleta, desmontagem, pré-processamento e processamento.  E o tratamento, por sua vez, possui dois tipos de abordagens: manual e automatizada, na qual a desmontagem manual oferece uma seletividade no processo, que reduz as perdas na classificação correta de cada matéria-prima, apesar de ser mais lenta e garantir menos segurança ao meio ambiente e à saúde. A automatizada consiste em um processamento mais rápido, seguro e com menos mão-de-obra, porém, peca na eficiência em recuperar materiais, justamente por misturar vários.

Também no Brasil, a norma NBR10004 confere critérios quanto à classificação dos resíduos, de acordo com a sua composição e características em duas classes: Classe 1, referente aos resíduos considerados perigosos (que podem oferecer algum risco para o meio ambiente ou para o homem); e Classe 2, para resíduos não perigosos. É a partir desta classificação que são determinadas as destinações para cada resíduo, cujas normas são: ABNT NBR13896/97, para aterros de resíduos não perigosos (critérios para projeto, implantação e operação); e ABNT NBR10157/87, para aterros de resíduos perigosos (critérios para projeto, construção e operação).

Divulgação

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Veja também o vídeo  sobre a história dos eletrônicos, que explora os danos colaterais da revolução high-tech com 25 milhões de toneladas de lixo eletrônico

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MBE-COPPE/UFRJ formando especialistas ambientais desde 1998 – mbcursos.coppe.ufrj.br

 


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