Cientistas preveem oceano Ártico sem gelo em 40 anos

O derretimento das calotas de gelo no Ártico se tornou tão rápido e tão certo que pesquisadores podem prever agora com confiança quando o oceano ficará sem gelo

Cientistas preveem oceano Ártico sem gelo em 40 anos

Estudiosos vêm alertando sobre um oceano ártico sem gelo há anos. Mas Jiping Liu, cientista atmosférico da Universidade Estadual de Nova York em Albany, nos EUA, e seus colegas foram mais longe.

Eles previram que o Oceano Ártico ficará efetivamente livre de gelo pela primeira vez no mês de setembro entre 2054 e 2058.

Mais uma vez, a previsão depende de modelos climáticos, e inevitavelmente de decisões que os governos tomarem para controlar as emissões de gases do efeito estufa na próxima década. Mas o fato de que a equipe de cientistas pode concentrar suas apostas em um período de quatro anos é um indicador de quão rápido e inexorável o degelo ártico se tornou.

A calota polar está diminuindo em área e está perdendo sua espessura há décadas: as observações de satélite têm sido confirmadas por medições submarinas e expedições em navios quebra-gelo. Uma calota que era, historicamente, intransponível mesmo no verão, deu lugar, a cada outono durante anos, a extensões cada vez maiores de oceano aberto.

De 1979 a 2001, a calota diminuiu mais de 6% por década, e em 2011 começou a derreter duas vezes mais rapidamente. O derretimento do gelo quebrou todos os recordes anteriores em 2007, e em 2012 o fez novamente, atingindo um novo recorde de baixa.

Impactos generalizados e significativos

Em 16 de setembro do último ano, a calota ficou quase 49% abaixo da média de longo prazo e o gelo que ficou flutuando no mar diminuiu para uma área de 3,4 milhões de quilômetros quadrados.

No Proceedings of the National Academy of Sciences, Dr. Liu e seus colegas definiram “sem gelo” como meros um milhão de quilômetros quadrados e propuseram que, se as emissões de gases do efeito estufa ficarem em um nível alto, então em algum mês de setembro entre 2054 e 2058 isso será tudo o que restará no Oceano Ártico: um milhão de quilômetros quadrados de banquisa (banco de gelo) e lama.

Isso, dizem os pesquisadores, teria um “impacto significativo” nos ecossistemas árticos e nas atividades marítimas, nas reações biogeoquímicas e nas condições meteorológicas extremas e no clima das latitudes altas e médias.

Em 2012, a extensão de gelo em setembro quase ficou pela metade: o que interessa aos pesquisadores é quando será reduzida pela metade novamente, caindo para 1,7 milhão de km quadrados. Precisamente quando isso vai acontecer depende de qual modelo climático eles usam, mas deve ocorrer em algum ponto: nos anos 2060, sob um conjunto de circunstâncias, e nos anos 2040, sob outro.

E, eles apontam, com apenas 1,7 milhão de km2 em seus modelos, o Oceano Ártico se torna uma rota de navegação em “mar aberto” viável, com o gelo espesso e de muitos anos sendo encontrado apenas em pequenas porções do arquipélago canadense do norte.

Crédito Imagem: Wikimedia Commons.

Traduzido por Jéssica lipinski
Leia o original no Climate News Network (inglês)

Fonte: Instituto Carbono Brasil


MBE-COPPE/UFRJ formando especialistas ambientais desde 1998 - mbcursos.coppe.ufrj.br

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