Avião cruza Estados Unidos usando apenas energia solar

Energia solar – Viagem, iniciada em São Francisco, durou dois meses e cruzou 5,5 mil km. Desafio agora é criar avião solar que circunde o planeta sem combustível.

Na mitologia grega, Ícaro foi o primeiro ser humano a voar, mas caiu porque chegou muito perto do sol e as asas derreteram. Hoje, o sol deixou de ser problema e virou solução. É ele que fornece energia para um avião que, sem usar uma só gota de combustível, é capaz de atravessar um continente. Dentro de pouco tempo, essa tecnologia vai ser usada para dar a volta ao planeta.

Energia Solar

Foram mais de dois meses desde a decolagem em São Francisco, na Califórnia, até o fim da missão, 5,5 mil quilômetros depois. Quando completou as quase 19 horas de sua última etapa, um vôo entre Washington e Nova York, que em um jato comum leva pouco mais de uma hora, o Solar Impulse tornou-se o primeiro avião a cruzar os Estados Unidos de costa a costa usando apenas a energia do sol.

“Nós queremos mostrar que as tecnologias limpas, que ajudam a reduzir o consumo de energia e produzir energias renováveis, podem realizar feitos incríveis. As tecnologias limpas costumam ser associadas à redução da mobilidade, a um estilo de vida comedido e a um comportamento ecológico de lutar contra as indústrias. Vamos mostrar que isso não procede. Com tecnologias limpas realizamos coisas incríveis, criando empregos, não impedindo a economia de crescer e protegendo o meio ambiente”, afirma o piloto Bertrand Piccard.

A tecnologia capaz de impulsionar o Solar Impulse teoricamente já é capaz de mantê-lo eternamente voando. Mas a primeira versão da aeronave, por não ter controles automáticos, nem um lugar para dormir, não permite vôos com mais de um dia de duração. O desafio agora é criar um avião solar que possa circundar o planeta também sem combustível.

Desafios como voar ao redor do planeta impulsionado pela natureza não é novidade para Bertrand. Na verdade, o sobrenome Piccard é quase um sinônimo para a exploração humana. Seu avô, Auguste, além de físico, era inventor. Criou o primeiro balão pressurizado e chegou aos 23 mil metros de altitude.

A ideia de um cilindro pressurizado foi usada pelo pai de Bertrand, Jacques Piccard, para criar o batiscafo Trieste, no qual chegou, em 1960, ao ponto mais profundo dos oceanos: o Challenger Deep, uma depressão a quase 11 quilômetros da superfície.

“Tudo o que podemos imaginar, alguém um dia vai tornar realidade”. A frase é de Júlio Verne, autor de ‘Cinco Semanas em um Balão’. Em 1999, Bertrand Piccard, junto com Brian Jones realizaram o último grande feito do balonismo: dar a volta ao planeta sem escalas.

Um avião tem a envergadura de um Boeing 747, são 63 metros de asa. Pode voar a uma altitude de 8,5 mil metros. No entanto, cada um dos quatro motores tem menos potência do que o motor que foi usado pelos irmãos Wright no primeiro vôo feito nos EUA, em 1903.

O tamanho pode impressionar, mas com alguns dos materiais mais modernos disponíveis o Solar Impulse tem apenas 1,6 mil quilos, o mesmo peso de um carro médio.

Assim como os pioneiros da aviação não poderiam prever aonde as asas de sua imaginação nos levariam, é difícil saber, hoje, quando seremos realmente capazes de voar como pássaros: de maneira limpa e sustentável.

Fonte: Globo News


MBE-COPPE/UFRJ formando especialistas ambientais desde 1998 - mbcursos.coppe.ufrj.br

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